O tédio é uma experiência universal. Quem nunca se viu perdido em horas intermináveis, sem nada para fazer (aparentemente), sem ninguém para conversar, sem vontade de estudar ou de construir algo? Nos últimos dias, tenho experimentado o tédio de uma forma intensa, como nunca antes. Confesso que gosto de estar comigo mesmo, mas por opção. Contudo, desta vez, o silêncio parecia gritar. Eu juro que quase enloqueci.
Costumamos associar o tédio à preguiça ou procrastinação, mas o que senti foi diferente. Era como estar preso em uma bolha, onde tudo parecia fora do meu alcance. A solidão, que muitas vezes considerei confortável, desta vez tornou-se sufocante.
Pergunto-me: quantas pessoas também passam por isso e como lidam com o tédio? Para mim, foi necessário passar por esse desconforto até perceber que o tédio poderia ser uma ferramenta poderosa.
Com o passar dos dias, percebi que o tédio não precisa ser apenas um fardo. Sem a constante distração das redes sociais, das notificações ou até das obrigações do dia a dia, comecei a me perguntar: o que eu realmente quero fazer? Quais são os projetos e interesses que deixei de lado?
A seguir, apresento algumas maneiras pelas quais ele tem me ajudado a me aperfeiçoar:
- Reflexão sobre o propósito: Com tempo livre, comecei a me perguntar sobre meus verdadeiros objetivos e o que realmente importa para mim. Escrevi uma lista com objetivos para alcançar daqui a 10 anos, confesso que tenho adiado bastante (talvez tivesse medo), mas o tédio ajudou-me com isso.
- Exploração de novas habilidades: Sem a pressão de estar sempre ocupado, me senti livre para explorar hobbies e novas habilidades. Comecei a ler sobre temas fora da minha área, estudar finanças de um modo um pouco mais profundo e pratiquei exercícios físicos.
- Prática de paciência e aceitação: O tédio me ensinou a aceitar momentos de inatividade sem sentir culpa ou pressa. Nem sempre precisamos ser produtivos, ser necessários, estar cercados, falar; às vezes, só precisamos ser.
Por vezes, o óbvio precisa ser dito, ou, pelo menos, pensado. Confesso que nunca tinha olhado para o tédio como uma oportunidade. Sempre parecia mais uma corrida interminável em busca do próximo estímulo, que, ironicamente, nunca era encontrado. Porém, quando parei de lutar contra ele e comecei a aceitá-lo, as coisas ficaram mais fáceis.
Hoje, começo a enxergar o tédio como um espaço de transformação, e em vez de preenchê-lo com distrações vazias, talvez devêssemos simplesmente sentar com o senhor tédio.
É completamente natural não se sentir totalmente confortável com o tédio, especialmente quando ele surge de maneira intensa e inesperada. Aprender a lidar com essa sensação leva tempo, e o mais importante é estar no processo de entender e explorar. Esse desconforto inicial faz parte do aprendizado.
Espero que possamos aprender a usar o tédio da melhor forma possível. Obrigado!